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Cuidados e expectativas para o retorno presencial da UnB

Cuidados e expectativas para o retorno presencial da UnB

Por Malu Sousa | Comunicação SDS

Após mais de dois anos, a universidade retorna às aulas presenciais e tem como desafio garantir ampla aderência aos protocolos de biossegurança

Nesta segunda-feira (6), a Universidade de Brasília (UnB) retorna às atividades presenciais com um grande desafio pela frente: garantir o respeito e a aderência aos protocolos de biossegurança nos quatro campi da universidade. O momento é de atenção, visto que os últimos boletins epidemiológicos elaborados pela Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) apontam um aumento constante da taxa de transmissão de Covid-19 na capital.

Conforme o epidemiologista e coordenador da Sala de Situação em Saúde da UnB, Jonas Brant, os desafios que estão postos para a universidade são os mesmos para qualquer outra faculdade ou escola. Ou seja, pensar como organizar o serviço para que ele esteja preparado, se ocorrerem casos, e como responder o mais rápido possível para evitar que evoluam para um surto. 

Nesse sentido, a Universidade de Brasília está trabalhando para o retorno das atividades presenciais para o semestre que se inicia. Um exemplo disso foi o envio da Circular nº 1/2022/DEG/DPG/DAC, trabalho conjunto do Decanato de Ensino de Graduação com o Decanato de Pós-Graduação e o Decanato de Assuntos Comunitários. 

No documento, constam orientações sumarizadas para a condução de atividades acadêmicas durante o primeiro semestre letivo de 2022. Há também instruções ilustradas para o acompanhamento e gestão de casos de covid-19 em sala de aula, laboratório de ensino e outros ambientes de atividades acadêmicas. Orientações complementares para toda a comunidade acadêmica e específicas para professores. Na terceira parte tem um guia de 11 passos para práticas diárias, um deles é baixar e preencher diariamente o aplicativo Guardiões da Saúde.

Garantir o uso de máscara em ambientes pouco ventilados e com grande movimentação de pessoas, além do monitoramento da circulação de ar das salas de aula, são alguns dos desafios que estão postos para a UnB, de acordo com Jonas. O epidemiologista cita como importante a vigilância participativa, no caso a Universidade de Brasília, o Guardiões da Saúde, uma estratégia de vigilância participativa que tem permitido a detecção rápida do número dos casos para poder desencadear as medidas de investigação. “Vale lembrar que a Universidade de Brasília tem cerca de 50 mil pessoas, então o uso de aplicativo facilita e otimiza muito esse processo de trabalho”, declara.

Expectativas

O professor do Departamento de Psicologia, Pedro Costa, se divide entre ansiedade em retornar para a sala de aula e preocupações em relação ao modo como isso se dará. “É uma mistura, a boa de voltar a sala, ver as pessoas novamente, presencialmente. Sabendo que a confecção de educação que a gente defende, socialmente referenciada, se potencializa no contato com o outro. Porém, com muitas dúvidas sobre como isso vai acontecer, receios de contaminação e todas as implicações envolvidas nessa doença ainda muito pouco conhecida”. Pedro cita o fato da reitoria recomendar em vez de obrigar o uso de máscara: “Uma das minhas expectativas é que a reitoria possa voltar atrás, no bom sentido, e voltar a tornar obrigatório o uso de máscaras”. 

Assim como Pedro, o estudante do curso de Ciência Política, Samuel Vieira, tenta se mostrar otimista apesar da preocupação. “Vai ser bom voltar pra UnB depois de tanto tempo, mas ter todas as aulas em salas fechadas e abafadas me deixa um pouco apreensivo. Eu pretendo continuar com o uso de máscara e de álcool em gel ainda nas salas de aula, mas penso que a UnB poderia fazer um rodízio, numa semana metade da turma (e a outra metade tendo aula remota) e na semana seguinte a outra metade. Seria muito bom se tivesse um semestre de adaptação, não “jogar os alunos de qualquer jeito” como se a Covid-19 não existisse mais”.

A UnB terá que travar essa batalha nos próximos meses que serão bastante desafiadores, em termos de número de casos e, também, no sentido de garantir que a universidade se mantenha operacional mesmo num cenário como o atual.

Professora do Departamento de Filosofia, Priscila Rufinoni, teme que sua experiência no semi-presencial, no semestre passado, se repita: “Mantivemos máscaras para os estudantes e distanciamento, mas o processo de abandono dos protocolos de saúde foi se naturalizando rapidamente. Minha expectativa é tentar não naturalizar ao ponto da negligência, manter sempre o alerta”, declara.

O estudante de mestrado em Agronomia, Lucas Mozocco, conta que vai voltar ao presencial ainda com muito medo. O mestrando cita o aumento do número de casos de covid-19 como preocupação, além da imprudência de muitos em relação aos protocolos de biossegurança. “O meu receio é piorar para além do imaginável, de uma forma que a gente não esteja ainda com noção, para casos muito mais graves. A única coisa que resta é tentar manter as medidas de proteção”, finaliza. 

A atitude é reforçada nas práticas diárias da Circular nº 1/2022/DEG/DPG/DAC, além de ser o que recomenda o epidemiologista Jonas: “devemos adotar medidas para diminuir a transmissão desse vírus e evitar que ele consiga evoluir mais rápido e, ao mesmo tempo, proteger pessoas de grupo de risco. Embora seja um número muito menor de casos graves e óbitos, com o aumento do número de infecções, a tendência é o aumento de casos graves e de óbitos, principalmente nesse grupo.

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