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Mas, afinal, o que faz uma Sala de Situação em Saúde?

Mas, afinal, o que faz uma Sala de Situação em Saúde?

Por: Comunicação Epi-Ride Fortalecimento de Salas

Sala de situação em saúde é um espaço físico e/ou virtual onde a informação em saúde é analisada sistematicamente por uma equipe técnica, para caracterizar a situação de saúde de uma determinada população. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), são espaços de inteligência em saúde, dotados de visão integral e intersetorial. 

As principais funções de salas de situação de saúde, em geral, são o planejamento e avaliação das ações em saúde, tais como: definição dos programas e políticas que melhorem a saúde, avaliação da qualidade e dos acessos aos serviços, apoio à vigilância da saúde pública, resposta dos serviços de saúde em situações de emergência como surtos epidêmicos ou desastres naturais.

As salas de situação atuam como um órgão que apoia de forma técnico-científica o processo de tomada de decisões, interagindo com a comunidade e fomentando a saúde. Elas podem ser diversas, como por exemplo a Sala de Situação de Saúde Indígena e a Sala de Situação do Ministério da Saúde do Brasil.

Para as Salas, uma infinidade de dados importam. Não só as informações epidemiológicas, financeiras, orçamentárias, mas as questões socioeconômicas, demográficas e sobre recursos físicos e humanos de determinadas regiões.  O serviço das Salas de Situação de saúde são capazes de revelar a realidade dos serviços e das ações de saúde, bem como a situação de saúde da população, evidenciando o que deve ser prioridade. 

Experiências com implementações Salas de Situação em Saúde

O termo “sala de situação” foi inicialmente abordado em ambiente de guerra, local em que havia uma análise local da situação e planejamento. Adaptado para a saúde como esse termo que designa planejamento e acompanhamento de ações de cunho governamental, é nas Salas que se tem uma visão integral e intersetorial dos cenários de saúde. 

Entendendo a importância das Salas, o próprio Ministério da Saúde as implementa frequentemente, ainda que temporárias como no caso da sala de situação em saúde da Covid-19. A Sala de Arboviroses, por exemplo, orientou a intensificação da mobilização para diminuir casos graves e óbitos, além de coordenar ações e  propor estudos e medidas para vigilância e controle das arboviroses. Da mesma forma, a Sala de Hepatites Agudas coordena a resposta aos casos prováveis no país e organiza as ações de vigilância e assistência à saúde, orientando e apoiando o trabalho das secretarias estaduais e municipais de saúde. 

Foto: Sala de Arboviroses do MS

A diferença entre uma Sala de Situação e um Comitê Operativo de Emergência (COE), centro de gestão de uma emergência em saúde, é que as informações de saúde devem passar por um processo de análise que oriente de maneira pertinente a tomada de decisões. Esse processamento e a análise das informações são realizados, portanto, por Salas de Situação.

Há 5 anos, a Sala de Situação (SDS) da Universidade de Brasília (UnB) também desenvolve um trabalho de monitoramento, análise e definição de ações em saúde. A SDS fundamenta-se em quatro eixos principais: Gestão, Comunicação, Vigilância e Tecnologia da Informação. Dentre os produtos desenvolvidos pela SDS, estão boletins epidemiológicos, relatórios de situação, protocolos, tutorias e notas informativas. Nos últimos anos, a SDS tornou-se referência no que diz respeito à vigilância em saúde: com aulas, ferramentas, inserções na mídia e atuação frequente em cenários como o combate à Covid-19 e monitoramento de dengue no DF, dentre outros.

Um exemplo de ferramenta produzida pela SDS (UnB) é a Calculadora Epidemiológica. Com ela, é possível calcular quão rápido um determinado vírus, por exemplo, está se espalhando numa determinada população. Na tomada de decisões de gestores locais, essa ferramenta representa um recurso com potencial de impulsionar respostas mais ágeis e eficazes diante das emergências de saúde. Saiba mais sobre a Calculadora aqui.

As salas de situação em saúde em contexto local e municipal 

As principais possibilidades de Salas de Situação em Saúde em contexto municipal são propiciar a integração de informações de forma a oferecer diagnósticos dinâmicos e atualizados da saúde da população local. Ou seja, apoiar o Município na elaboração de planos e programações compatíveis com as necessidades detectadas, respeitando as características de cada local. 

Com a implementação e a manutenção de Salas de Situação em saúde, é possível disponibilizar informações para a orientação aos gestores do município e do SUS, além de outros profissionais envolvidos na elaboração dos instrumentos de gestão. Com a implementação, os municípios podem responder mais rapidamente situações emergenciais em saúde, já que a Sala fornece referencial consistente para projeções e inferências setoriais, importantes para o processo de tomada de decisão, além de contribuir para a transparência acerca das ações desenvolvidas na área da saúde.

As Salas de situação em contexto municipal contribuem, principalmente, para a melhoria do Sistema de Saúde. Mesmo há 10 anos, o relatório “Salas de Situação em Saúde: Compartilhando as Experiências do Brasil” já citava que uma Sala de Situação pode ser inovadora, contribuir para o processo de decisão em saúde e ao mesmo tempo tornar-se um ponto de apoio nos municípios: “quase uma vitrine de ferramentas, gráficos e tabelas”. Nesse caso, o diferencial não estaria na implementação de uma Sala de Situação, mas sim no contexto político-institucional em que se insere.

Experiências de Sala de Situação são fundamentais em contextos municipais porque possuem a ideia de apoio à decisão e/ou ao planejamento de “situações”. A depender do contexto, podem se tornar centralizadores ou dar suporte a processos transparentes e participativos de gestão e planejamento em saúde, com uso intensivo de informações e conhecimento. Intrínseco à ideia de Sala de Situação está o compromisso com um sistema de saúde universal, equânime e com qualidade. 

Como implementar uma Sala de Situação em Saúde

Uma sala de situação não exige muita tecnologia e também não é feita um único profissional. É preciso que uma equipe multidisciplinar, mesmo pequena, tenha capacidade de estabelecer diálogos e participe de sua implementação. Para cumprir a missão de colocar-se a serviço da ampliação da capacidade gestora do Estado voltado para a melhoria da saúde, a implementação de uma ‘Sala de Situação’ também impõe o compromisso  com o processo decisório/gestão em saúde e gestão da informação em saúde.

Idealizado pela SDS, o projeto Fortalecimento das Salas de Situação de Saúde tem como objetivo apoiar a estruturação das Salas de Situação de Saúde dos 33 municípios que compõem a Região Integrada de Desenvolvimento (RIDE) do Distrito Federal. O Epi-Ride busca melhorar a capacidade de monitoramento, a gestão de crises e proporcionar respostas mais efetivas às demandas de saúde da população. Para isso, a Sala de Situação de Saúde fornece informações e orientações qualificadas. São tutoriais, vídeo-aulas, ferramentas e apoio capazes de subsidiar o processo de planejamento, monitoramento e avaliação das ações em saúde desses municípios. 

O projeto é um segmento do projeto Epi-Ride – Tils, da Associação Brasileira de Profissionais de Epidemiologia de Campo (ProEpi), e visa dar prosseguimento às ações que estavam em desenvolvimento. Nesse sentido, é uma continuidade no combate aos problemas das Secretarias de Saúde.

REFERÊNCIA:

SALAS DE SITUAÇÃO EM SAÚDE: COMPARTILHANDO AS EXPERIÊNCIAS DO BRASIL. https://www.paho.org/bra/dmdocuments/Sala-de-Situacao-saude-11-08-2010.pdf

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