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Meses de retorno presencial. O que mudou?

Meses de retorno presencial. O que mudou?

Entenda os pilares fundamentais para a consolidação de um retorno presencial efetivamente seguro e prevenção de novas ondas de Covid-19.

Por: Comunicação SDS

Nos últimos meses, diversas instituições de ensino voltaram às aulas presenciais após anos fechadas devido à pandemia de Covid-19. Na Universidade de Brasília, por exemplo, cerca de 40 mil discentes, docentes, técnicos e trabalhadores terceirizados retomaram as atividades presenciais no último mês. As aulas presenciais também voltaram na grande maioria das escolas municipais. De acordo com pesquisa da Unicef, mais de 80% das redes municipais de educação estavam totalmente presenciais no mês de abril, o que representa mais de 22 milhões de matrículas nas mais de 179 mil escolas. Com o passar do tempo, as recentes experiências deste cenário conseguem descrever como tem sido a reabertura de uma instituição de ensino brasileira na pandemia de Covid-19. 

Somente no Distrito Federal (DF), há mais de 653 mil matriculados na Educação Básica, com uma média de 52 casos de Covid-19 por mil estudantes, de acordo com o painel de monitoramento do Ministério da Educação. Yuri Soares, professor de História da Secretaria de Educação do DF, diz que nas escolas houve um retorno difícil devido à ausência de cobrança de vacinação da comunidade escolar. Ele cita que não houve uma política sanitária bem definida por parte do governo e que, em muitas situações, os próprios documentos apresentados pela Secretaria apresentaram informações  contraditórias. Yuri cita que o retorno presencial foi necessário, já que o ensino à distância não oferece os mesmos resultados em relação ao processo de aprendizado, mas ele acredita que poderia ter sido mais planejado e organizado pelas autoridades locais.

Em queda, mas ainda presente, o cenário de Covid-19 exige cuidados para a manutenção de um retorno presencial seguro. De acordo com a pesquisa “Abordagem passo a passo para a reabertura de instituição de ensino superior brasileira na pandemia de Covid-19”,  a retomada do presencial exige a manutenção de alguns pilares: medidas de segurança e organização administrativa, previsão e provisão de materiais necessários para impedir a transmissão, monitoramento e identificação antecipada dos casos, treinamento específico para comunidade escolar e/ou acadêmica em geral e estabelecimento de um plano de comunicação contínuo para informações sobre a comunidade. 

Medidas de segurança e Organização administrativa

Uma das principais questões discutidas no retorno presencial foi a necessidade de adoção de medidas preventivas em espaços compartilhados. Atualmente, é comum que se veja uma reorganização dos espaços físicos e dos processos de trabalho, como salas de aula e laboratórios. Nas instituições de ensino superior, como na Universidade de Brasília, houve a aquisição de barreiras acrílicas e a sinalização do espaço comum, além da definição de medidas gerais de higiene, mas as medidas de segurança e a organização administrativa não se resumem apenas a isso, mas as medidas de segurança não se resumem apenas a isso. Apesar da redução do número de casos de Covid-19, o controle de riscos de ocupação e as estimativas de risco potencial nas atividades são medidas que evitam um adoecimento desenfreado da comunidade em geral. 

Previsão e provisão de materiais necessários para impedir a transmissão

Muito se fala sobre a importância do uso de materiais necessários para impedir a transmissão da Covid-19. A previsão e provisão de materiais como produtos de higiene individual e boas máscaras são apontadas como o mínimo para evitar a transmissão. No Brasil, a garantia desses itens básicos têm sido apontadas como ineficazes. No último mês de junho, por exemplo, o Tribunal de Contas do Estado (TCE) do estado da Paraíba identificou uma série de problemas estruturais que dificultam a prevenção da doença nas instituições de ensino, como: falta de abastecimento de água, ventilação das salas de aula e manutenção da higiene do local. 

Ao instituir o pilar de previsão e provisão de materiais para evitar a transmissão, é preciso fornecer proteção pessoal, como equipamentos (EPI) para alunos de graduação, professores e trabalhadores técnicos e administrativos. A conservação da higiene desses materiais e a garantia de condições de manutenção também são importantes para esse pilar, principalmente em instituições de ensino público em que a comunidade escolar e/ou acadêmica têm diversas realidades socioeconômicas. A exemplo, algumas universidades como a Universidade de Brasília (UnB) e Universidade Federal de Lavras (Ufla) instituíram auxílios para a compra de máscaras e outros materiais de higiene pessoal.  

Monitoramento e identificação antecipada dos casos

Parte fundamental de um retorno seguro, e uma das mais importantes, é o monitoramento e a identificação antecipada dos casos, que necessita da colaboração de professores, alunos, técnicos administrativos e profissionais terceirizados que atuam na instituição de ensino. A conscientização dos membros quanto às responsabilidades individuais, como o monitoramento dos sintomas, identificação e confirmação precoce dos casos e, principalmente, as ações para evitar a disseminação nos espaços. Para isso, podem ser utilizadas ferramentas para o monitoramento de casos como o aplicativo móvel Guardiões da Saúde utilizando durante alguns semestre na UnB ou link em página web utilizado pela UNESP.  Essa estratégia para detecção oportuna de sintomáticos precisa ganhar longevidade, pois pode permitir às instituições, como Universidades, manterem capacidade de detecção oportuna, não somente para Covid-19, mas para outros agravos, como outras doenças respiratórias, exantemáticas e diarreicas. 

A testagem frequente também é necessária não só para identificar casos positivos de Covid-19, mas para monitorar o cenário da comunidade como um todo.  De acordo com o Our World in Data, ferramenta desenvolvida pela Universidade de Oxford com base em treze indicadores de resposta de políticas, o índice de resposta à Covid-19 pode variar de 0 a 100, sendo 100 o índice daqueles países com respostas mais rigorosas. De janeiro a julho, o Brasil apresenta índice 59, sendo que nenhum país da América do Sul apresenta índice superior a 80. Para a mensuração, são analisados dados como o fechamento de escolas, fechamento de locais de trabalho, proibição de viagens, política de testes, rastreamento de contatos, coberturas faciais e política de vacinas.  Em relação aos testes de Covid-19, de janeiro a julho de 2022, o Brasil apresenta uma média de testes diários muito inferior a outros países do mesmo continente, como no caso do Peru e Argentina. Veja o infográfico abaixo:

Este cenário do país influencia diretamente no contexto escolar e acadêmico. Isabela Ribeiro, pedagoga e professora em uma escola pública de Sobradinho II, cita que ainda não há uma cultura de testagem frequente nas escolas e instituições de ensino em geral. Para ela, “ao não testar as crianças e adolescentes nas escolas, tem-se uma noção de que elas não adoecem”. Isabela acredita que a ausência de testagem e de identificação de casos ainda reforça um pensamento anti-vacina. “A desobrigação da vacina coloca professores e alunos em risco diariamente”, cita Isabela. 

Treinamento específico para alunos, professores, técnicos e trabalhadores em geral

Para a manutenção de um presencial seguro, toda a comunidade escolar e/ou acadêmica precisa estar envolvida. Mesmo com a desobrigação do uso de máscaras, por exemplo, são as instruções e a produção de uma responsabilidade coletiva que garantirão a manutenção do uso de máscaras nas escolas e instituições de ensino, reduzindo as chances de uma nova onda de Covid-19 e de outras doenças respiratórias. 

Um relato de experiência do retorno presencial da Universidade de São Paulo (USP), de Maria Clara Padoveze,  recomenda a organização de treinamentos sobre as medidas de proteção contra a Covid-19. Neste treinamento, todos os discentes de graduação e pós-graduação, docentes, pesquisadores, técnicos administrativos e terceirizados participaram deste treinamento. O diferencial dessa ação está no protagonismo dado à comunidade acadêmica, que enviaram vídeos sobre diversos temas abordados no curso, além de participarem ativamente na construção dos materiais do treinamento. Na manutenção de um retorno seguro, o objetivo geral deste pilar é fornecer informação e incentivo à reflexão  e à implementação de medidas de prevenção e controle nos mais diversos contextos. 

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a pandemia de Covid-19 desencadeou um aumento de 25% na prevalência de ansiedade e depressão em todo o mundo. Os treinamentos específicos para comunidade escolar e/ou acadêmica podem auxiliar nessas preocupações. Os possíveis aumentos dessas condições já levaram 90% dos países pesquisados a incluir saúde mental e apoio psicossocial em seus planos de resposta à Covid-19, de acordo com a OMS.

Estabelecimento de um plano de comunicação contínuo para informações sobre a comunidade

 A  Comunicação é um pilar essencial para a consolidação de um retorno presencial seguro. Por meio dela, escolas e instituições de ensino em geral podem estabelecer com a comunidade um diálogo contínuo sobre as condições de saúde. Para isso, planos de comunicação podem ser adaptados a cada segmento populacional, especialmente dos mais vulneráveis. Este pilar considera que a ausência de um plano adequado às realidades comunicacionais diversas pode colocar em risco os esforços contra a Covid-19. 

Em “A comunicação no enfrentamento ao Covid-19: identificação e monitoramento de desigualdades informacionais em segmentos sob risco” pesquisadores da Universidade de Brasília concluem que o desenvolvimento de campanhas de comunicação contra pandemias não devem se ocupar apenas de difundir recomendações à comunidade, mas também de reduzir desigualdades informacionais durante o contexto emergencial. Em contexto escolar e/ou acadêmico, isso pode implicar, por exemplo, o planejamento e organização de ações específicas para cada contexto informacional, com atenção especial àqueles com menor acesso às informações sobre o vírus.  

REFERÊNCIAS:

PAINEL COVID NA REDE DE EDUCAÇÃO  |MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO. Disponível em https://painelcovid-seb.mec.gov.br/

TCE VISITA ESCOLAS ESTADUAIS E IDENTIFICA PROBLEMAS DENUNCIADOS PELOS ESTUDANTES E PROFESSORES. Disponível em https://www.brasildefatopb.com.br/2022/06/08/tce-visita-escolas-estaduais-e-identifica-problemas-denunciados-pelos-estudantes-e-professores

OUR WORLD IN DATA. Disponível em https://ourworldindata.org/grapher/covid-containment-and-health-index?time=2022-01-04&region=SouthAmerica

PANDEMIA COVID 19 DESENCADEIA ANSIEDADE E DEPRESSÃO https://www.paho.org/pt/noticias/2-3-2022-pandemia-covid-19-desencadeia-aumento-25-na-prevalencia-ansiedade-e-depressao-em

A COMUNICAÇÃO NO ENFRENTAMENTO AO COVID 19: IDENTIFICAÇÃO E MONITORAMENTO EM SEGMENTOS SOB RISCO. Disponível em http://repositoriocovid19.unb.br/repositorio-projetos/a-comunicacao-no-enfrentamento-ao-covid-19-identificacao-e-monitoramento-de-desigualdades-informacionais-em-segmentos-sob-risco/

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