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Modelo lógico como ferramenta de análise 

Modelo lógico como ferramenta de análise 

Pesquisadores do projeto Arbocontrol desenham estrutura de avaliação para facilitar as investigações dos sistemas de vigilâncias entomológica e epidemiológica do Ministério da Saúde

Por Fernanda Angelo 

Uma das atividades desenvolvidas pelo Componente 2 do Projeto Arbocontrol é a análise dos sistemas de vigilância do Ministério da Saúde, incluída na meta 7 desse eixo. A equipe tem trabalhado nas avaliações entomológica do Aedes aegypti e epidemiológica da dengue, zika e chikungunya, no sentido de sugerir melhorias aos sistemas e, consequentemente, auxiliar no controle das arboviroses. Para alcançar de forma eficiente o objetivo proposto e conhecer os sistemas de maneira ampla, os pesquisadores da meta 7 utilizam o modelo lógico como ferramenta para as avaliações. 

Margo S. Rowan, em seu artigo Logic models in primary care reform: navigating the evaluation (Modelos lógicos na reforma da atenção básica: navegando na avaliação), publicado em 2000, pelo The Canadian Journal of Program Evaluation, define modelo lógico como um “método que explicita a teoria de um programa, permitindo verificar se o desenho do seu funcionamento está adequadamente orientado para alcançar os resultados esperados”.  Ou seja, entende-se que modelo lógico é a disposição de um esquema visual que define como um programa deve ser implementado e quais são os resultados esperados. Segundo Rowan, “é um passo essencial na organização dos trabalhos de avaliação”.  

Com base nessa teoria e aplicação, é possível perceber se, de fato, os sistemas de vigilância avaliados têm cumprido o seu papel. Marcela Lopes, uma das pesquisadoras da meta 7, reforça a função do modelo lógico como instrumento de avaliação de políticas públicas. Segundo a epidemiologista, por meio dele, é possível desenhar toda estrutura da vigilância e, dessa forma, compreender de forma ampla as suas responsabilidades e ações.  

Modelo lógico nas avaliações dos sistemas 

As investigações realizadas pelos pesquisadores da meta 7 do componente 2 do Projeto Arbocontrol nos sistemas de vigilância do Ministério da Saúde seguem as Diretrizes da Atualização para Sistemas de Vigilância de Avaliação dos Centros de Controle e prevenção de Doenças (CDC/EUA). em inglês – Update Guidelines for Evaluating Surveillance Systems do Centers for Disease Control and Prevention. Vale destacar que o CDC teve um papel fundamental na construção dos objetivos da vigilância desde a década de 1950, o que trouxe um conceito mais ampliado, com olhar para a vigilância em saúde pública. 

De acordo com a epidemiologista Marcela Lopes, o modelo lógico, como ferramenta de análise desses sistemas, possibilita a avaliação de alguns atributos que devem ser considerados nas análises e que são indicados na metodologia do CDC. A exemplo deles, são considerados os atributos quantitativos (qualidade dos dados, representatividade e oportunidade), bem como os qualitativos (simplicidade, flexibilidade e estabilidade). 

Marcela explica que a simplicidade do sistema, por exemplo, pode ser observada com base no modelo lógico de avaliação. Segundo ela, o sistema precisa ser o mais simples possível, o que significa que é preciso clareza para que os agentes e gestores da saúde entendam e desempenhem de forma eficiente os seus papéis corretamente. 

“Se o sistema estiver visivelmente claro em suas atividades, significa que ele é simples e, para isso, é possível construir um modelo lógico e elencar as atividades que devem ser feitas. Caso não seja possível identificar os responsáveis por cada atividade com clareza, é porque o sistema não está claro o suficiente para os seus envolvidos e, portanto, pode-se dizer que ele é complexo”, explica a pesquisadora. 

Por meio de um modelo lógico eficiente de análise, pode-se também avaliar a qualidade dos dados. Por exemplo, é papel dos sistemas de vigilância das arboviroses fornecer as datas de notificações e investigações, tanto para casos de arboviroses como para a presença do mosquito vetor em determinada localidade. 

Quando essas datas nos sistemas são as mesmas, tanto para notificação, quanto para investigação, significa que algo está errado, pois o período de investigação recomendado é de sete dias – tempo do ciclo de vida do mosquito vetor das arboviroses. Cabe aos agentes de saúde ir até o foco para investigar a presença do mosquito e de outros casos. 

Dessa forma, por meio de um modelo lógico e conhecendo o que de fato precisa ser feito, com base também em um modelo lógico voltado ao controle das arboviroses, os pesquisadores conseguem identificar que a investigação não foi realizada como deveria e aí pode-se apontar possíveis problemas na estrutura do modelo de vigilância, como recursos materiais, humanos ou organizacional, no intuito de saná-los.

A epidemiologista reforça a importância dos profissionais conseguirem identificar quais são as suas atividades e como elas impactam na realização dos trabalhos realizados pelos colegas. Segundo ela, isso pode refletir diretamente na qualidade dos dados.

“Se o que eu faço não está claro em relação à importância, é possível que eu faça sem o devido cuidado. Porém, se existe o modelo lógico e eu tenho clareza das minhas atividades e de como isso pode impactar nas atividades dos demais profissionais, é possível que eu tenha um cuidado maior na execução das mesmas”, conclui a pesquisadora.  

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