A transição nutricional é caracterizada por mudanças no perfil nutricional e alimentar da população. No Brasil, essa transição também foi identificada nas últimas décadas, sendo evidenciada pela redução da desnutrição e pelo aumento da prevalência do excesso de peso (sobrepeso, incluindo obesidade) entre a população, repercutindo também no estado nutricional de crianças e adolescentes brasileiros.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), estimou-se que 37 milhões de crianças menores de cinco anos apresentavam sobrepeso ou obesidade em 2022. Já no Brasil, o sobrepeso entre crianças e adolescentes teve aumento expressivo entre os anos 2000 e 2022, passando de 18% para 36%, respectivamente.
A infância é um período de transformações físicas e psicológicas, mas também é uma fase em que ocorre a construção de hábitos que irão repercutir na vida adulta. Por isso, a formação de hábitos alimentares saudáveis e a adoção de atividades físicas tornam-se fundamentais para que o público infantil cresça de forma saudável, uma vez que a obesidade infantil está interligada à inatividade física e ao desbalanceamento da dieta, como o maior consumo de alimentos ultraprocessados.
A obesidade infantil está associada ao risco de doenças cardiovasculares, como hipertensão e aterosclerose, além de dislipidemia e diabetes mellitus tipo 2. O excesso de peso também pode representar um risco à saúde psicológica das crianças, já que, desde muito cedo, elas podem enfrentar preocupações excessivas com a perda de peso, o que favorece o desenvolvimento de problemas psicológicos, como depressão e ansiedade.
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