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14. Pets e COVID-19

A crise sanitária causada pelo novo coronavírus, SARS-coV-2, causa ainda
algumas dúvidas e uma delas está relacionada aos animais, principalmente os que têm maior contato com seres humanos, os domésticos. Por isso, a importância desse tópico.
Até o presente momento não há evidências científicas de transmissão do
vírus de animais para humanos, atuando de forma significativa na propagação de infecções humanas com o SARS-coV-2. Pesquisas até o momento tem mostrado que a transmissão do vírus causador da COVID-19, ocorre de humano para humano. As evidências atuais sugerem que o vírus SARS-coV-2 surgiu de uma fonte animal, porém, há necessidade de maior investigação para encontrar a real fonte do vírus e entender como começou a infectar humanos (OIE, 2020).
Existe a possibilidade de infecção do vírus em animais, na atual situação que o vírus está amplamente distribuído na população humana, ocorrendo infecção em animais por conta do contato deles com seres humanos (OIE, 2020).
Acredita-se que casos como o de um tigre no zoológico de Nova York, que
apresentou os sintomas da doença, aconteceu pela exposição do animal a um funcionário do zoológico que estava ativamente lançando o vírus. Por esse motivo, recomenda-se que qualquer pessoa doente ou suspeita pela COVID-19 devem restringir o contato com animais, principalmente os domésticos, por ter um maior contato com seres humanos.
Em caso de necessidade do contato, recomenda-se lavar sempre as mãos
antes e depois do contato com os animais ou com seus pertences (USDA, 2020).
Havendo suspeita de infecção da COVID-19 no animal, recomenda-se entrar
em contato com uma clínica veterinária, explicar se o animal foi exposto a alguém que testou positivo para o vírus, apresenta os sintomas da doença ou há suspeita, e se o animal apresenta algum sintoma, para que o veterinário analise, e em caso de necessidade o animal ser testado e as autoridades responsáveis notificadas (USDA, 2020).
Estudos mostram que os animais domésticos estão suscetíveis à doença
quando estão em contato com humanos infectados, mas a infecção não ocorre facilmente, sendo possível mesmo infectado, o animal não apresentar sintomas da doença. Além disso, os gatos apresentam ser mais suscetíveis a doença, uma vez que os receptores das células respiratórias dos gatos e dos humanos são semelhantes. Em comparação, os cães apresentaram ser menos vulneráveis ao vírus (LOPES et al., 2020).
De acordo com a Associação Americana de Medicina Veterinária, os animais
de estimação são raramente infectados em condições naturais. Entre 1 de janeiro a 9 de maio de 2020, apenas cinco animais tiveram contato com o vírus causador da COVID-19, em Hong Kong e Estados Unidos. Também foram relatados casos na Europa mas não houve confirmação dos casos pois os testes não foram concluídos (AVMA, 2020).
A infecção confirmada do SARS-coV-2 em dois gatos de estimação em Nova
York, apresentaram doença respiratória leve. Investigações neste caso,
demonstraram que ambos tiveram contato próximo com pessoas confirmadas, seus possíveis tutores, sugerindo a disseminação de humano para gato (CDC, 2020).
Segundo o Centers for Disease Control and Prevention, nos animais, os
sinais clínicos da doença para o vírus SARS-coV-2 permanece indefinido em grande parte. Sabe-se que os animais domésticos podem apresentar sintomas respiratórios ou gastrointestinais, com base em outros coronavírus mais comumente encontrados em animais. Os principais sintomas com maior probabilidade de aparecimentos em animais mamíferos infectados por SARS-coV-2 são: febre, tosse, dificuldade em
respirar ou falta de ar, letargia, espirros, corrimento nasal, descarga ocular, vômito e diarréia.
Aos tutores de animais domésticos, é importante que se mantenham
atualizados e mantenham seus animais seguros. Algumas recomendações do CDC são importantes para a prevenção dos animais, como:

“Não permitir que animais de estimação
interajam com pessoas ou outros animais
fora de casa; Manter os gatos dentro de
casa sempre que possível para evitar que
eles interajam com outros animais ou
pessoas; passear com os cães na coleira,
mantendo 2 metros de outras pessoas e
animais; evitar parques de cães ou locais
públicos onde um grande número de
pessoas e cães se reúna.” (CDC, 2020)

Procurar manter a saúde perto dos animais é de extrema importância, por
mais que não haja evidências científicas de que os animais desempenham um papel significativo na disseminação do COVID-19, sendo considerado extremamente baixa a possibilidade de infecção. Além disso, segundo a OPAS, o convívio com animais melhoram e enriquecem o ambiente familiar, podendo ajudar principalmente o apoio psicológico, reduzindo os níveis de estresse, ansiedade e a tendências suicidas, algo considerado de grande apoio nesse momento de distanciamento social.
Segundo a Organização Mundial de Saúde Animal – OIE, a infecção de
animais com o COVID-19 atende aos critérios de uma doença emergente, sendo necessário em caso de infecção de animais, notificar a OIE.
Importante destacar que existem diferença entre os coronavírus, devido a
existência de vários vírus da família coronaviridae, distribuídos nos gêneros Alfacoronavírus, Betacoronavírus, Deltacoronavírus e Gamacoronavírus onde a espécie CCov e FCoV do gênero Alfacoronavírus, são causadores das doenças gastroenterite que podem ocorrer em cães e gatos e a PIF (Peritonite Infecciosa felina) em gatos, consecutivamente, e não são transmissíveis ao humanos. O COVID-19 da espécie SARS-coV-2, do gênero Betacoronavírus é um vírus diferente dos que acometem cães e gatos (CFMV, 2020).
Até o momentos, ainda existem poucos estudos que relatam infecções em
animais domésticos. É necessário a publicação de mais estudos para compreender a infecção de animais pela COVID-19 e a evolução do vírus em diferentes animais. A COVID-19 é uma doença humana potencialmente emergida através de uma fonte animal, afirmando ainda mais o conceito e abordagem de Saúde Única, vertente que unifica a saúde do meio ambiente, animais e pessoas.
O teste em massa ou de rotina aos animais não é recomendado pela OIE e
nem pelo CDC, mas pode ser aplicado em situações em que envolvam tomada de decisões, manejo populacional, casos suspeitos em animais, casos de interesse para saúde pública, para espécies em projetos conservacionistas ou para fins de pesquisa. Caso seja aplicado, deve seguir todas as normas sanitárias na coleta, manuseio e interpretação das amostras e comunicação dos resultados. Todas as etapas devem ser coordenadas juntamente ao órgão de saúde pública (OIE, 2020;
AVMA, 2020; CDC, 2020).
Fatores epidemiológicos associados com sinais clínicos guiam a escolha do
teste quando; animal com histórico de contato com caso humano suspeito e/ou confirmado ou de área de risco e com sintomatologia clínica, animal de importância conservacionista que se encontra sob cuidados humanos e populações de animais que não se possuem histórico de possível contágio, mas sinais compatíveis com a doença (OIE, 2020; CDC2, 2020).
De acordo com a Organização Mundial de Saúde Animal – OIE, um caso
suspeito em um animal é determinado quando este possui sinais compatíveis com a doença, todos os outros diagnósticos diferenciais foram descartados e possui link epidemiológico com um caso confirmado humano. Casos confirmados em animais, se obtém através da positividade em sequenciamento genético do vírus de amostras extraídas diretamente do animal. Neste, se faz necessário a notificação à OIE e adoção de medidas como quarentena, desinfecção e vacinação (quando houver). Até o presente momento, mais de 40 animais foram diagnosticados via testes moleculares (sequenciamento genético e Reação de Cadeia em Polimerase-PCR), incluindo as espécies tigre, leão, furão, gato e cão doméstico envolvendo países como China, Bélgica, Estados Unidos da América, Hong Kong, Suécia, França, Espanha, Alemanha, Rússia, Dinamarca e Reino Unido. (AVMA, 2020; OIE4, 2020).
Segundo a OIE, mais de 8 espécies animais foram determinadas como
susceptíveis ao SARS-CoV-2 por vias naturais ou experimentais sendo elas; cão e gato domésticos, ferrets, morcegos frugívoros, hamster sírio, primatas, furões, tigres e leões, em que, a transmissão antropozoonótica pode ocorrer entre furões e os humanos, embora ainda não confirmada. Até o momento, animais de produção como galinhas, porcos, perus, não demonstraram susceptibilidade experimentalmente. É possível que demais mamíferos mantidos como pets (chinchila, coelho, porquinho da índia, gerbil) possam se infectar. Demais espécies de aves, répteis e peixes não aparentam ser susceptíveis (AVMA, 2020; OIE5,2020; CDC, 2020).
O comportamento patológico da COVID-19 em animais é semelhante em
humanos em que possui período de incubação de 2 a 14 dias, transmissão através de gotículas expelidas pelo trato respiratório, sinais majoritariamente respiratórios e diagnóstico via detecção do agente e/ou de resposta imune. Os sinais clínicos podem incluir, mas não limitar-se em; descarga nasal, tosse, dificuldade respiratória, vômitos e sinais gastroentéricos. Sinais brandos e assintomáticos podem ocorrer.
Dado a possibilidade de transmissão e contágio via animais, faz-se necessário medidas de biosseguridade e higiene evitando-se contato do animal com demais pessoas e animais. Caso o animal apresente sintomas, busque atendimento especializado alertando-o do caso (OIE, 2020; OIE5, 2020;, CDC2, 2020; CDC3, 2020).
Embora não haja comprovação da transmissão animal-humano e os casos
confirmados advenham da proximidade de contato com pessoas, os animais
desempenham papel epidemiológico e contribuem para o contágio. Logo,
presume-se que os cuidados com os animais domiciliares não devam ser
negligenciados. Entre eles estão: impedir interação do animal com demais animais e pessoas, caso esteja doente não manusear o animal ou utilizar equipamentos de proteção (escudo facial, luvas e máscaras), não compartilhar alimentos e cuidados ao manipular comida e utensílios dos animais. Ao sair de casa, manter animal sempre em coleira, evitar locais movimentados e, ao retornar, higienizar mãos, sapatos, membros e pelos dos animais. Não utilizar nenhum composto químico desinfetante que não seja aprovado para uso animal (OIE, 2020; AVMA, 2020; CDC, 2020; CDC3, 2020).
Em caso de local de atendimento veterinário ou de venda de insumos e/ou
produtos veterinários; manter distanciamento social, higienização de superfícies e mãos, limitação no número de pessoas e animais no local, aferição de temperatura e uso de equipamentos de proteção individual (AVMA,2020; CDC,2020; CDC3, 2020).
Não há motivos de retirada do animal do lar, em casos suspeitos ou
confirmados de COVID-19, a não ser que haja impossibilidade nos cuidados
necessários. A eutanásia e/ou abandono não é recomendada. Pessoas infectadas devem evitar contato com animais domésticos, domesticados e cativos – pets, zoológicos, fazendas, abrigos, entre outros. Em situações em que o animal seja positivo, seguir a mesmas normas para humanos; monitoramento dos sintomas, tratamento adequado, distanciamento e isolamento social, uso de equipamentos de proteção individual ao manipular o animal, seus utensílios e dejetos e higienização de superfícies. (OIE, 2020; AVMA, 2020, CDC, 2020; CDC3, 2020).
Ao adquirir novos animais; procurar atendimento médico veterinário para
exame geral de saúde, realizar período de quarentena e monitorar quanto ao aparecimento de sintomas. (CDC,2020).

REFERÊNCIAS:

1. Considerations for sampling, testing, and reporting of SARS-CoV-2 in animals. World Organisation for Animal Health – OIE, Paris, França, 7 mai 2020. Versão 1. Disponível em: Acesso em: 1 de agosto de 2020.

2. COVID-19 Portal. Questions and answers on COVID-19. World Organisation for Animal Health – OIE, Paris, França, 6 jun 2020. Disponível em: Acesso em: 3 de agosto de 2020.

3. SARS-CoV-2 in Animals. American Veterinary Medical Association – AVMA, Schaumburg, IL, 11 jun 2020. Disponível em: . Acesso em: 4 de agosto de 2020.

4. COVID-19 Portal. Events in Animais. World Organisation for Animal Health – OIE, Paris, França, Ago 2020. Disponível em: Acesso em: 4 de agosto de 2020.

5. Infection with SARS-CoV-2 in Animals – OIE technical Factsheet. World Organisation for Animal Health – OIE, Paris, França, 3 Jul 2020. Disponível em: . Acesso em: 5 de agosto de 2020.

6. COVID-19 Recommendations for Pet Stores, Distributors and Pet Breeding Facilities. Centers for Disease Control and Prevention – CDC, EUA. 30 jun 2020. Disponível em: . Acessado em 5 de Agosto de 2020.

7. Evaluation for SARS-CoV-2 Testing in Animals. Centers for Disease Control and Prevention – CDC, EUA. 29 jun 2020. Disponível em Acesso em: 5 de agosto de 2020.]

8. If your pet tests positive. Centers for Disease Control and Prevention – CDC, EUA. 11 jun 2020. Disponível em Acesso em: 5 de agosto de 2020.

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