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03.04 Lesões cardíacas e miocardites em pacientes com COVID-19

As lesões miocárdicas são comuns em pacientes com COVID-19, com taxa
de incidência variando entre 7% a 23% (HUANG et al.; WANG et al.; YANG et al., 2020). Esse dado se torna mais preocupante quando associado a informação que pacientes com COVID-19 e lesão cardíaca têm taxas de morbidade e mortalidade aumentadas, chegando até 51% de mortalidade (SHI et al., 2020).
Na COVID-19 grave há o caráter de lesão de múltiplos órgãos, e as complicações cardiovasculares associadas a ela podem ser diversas; cita-se a insuficiência cardíaca aguda, arritmias, síndrome coronariana aguda, parada cardíaca e a miocardite (SHI et al.; XU et al., 2020). Até o momento desta revisão a literatura disponível é escassa, mas sugere-se que o mecanismo de ocorrência das lesões cardíacas induzidas pelo SARS-Cov-2 sejam pela chamada “tempestade de citocinas” induzidas pelo vírus, essas são substâncias inflamatórias do organismo que nessa “tempestade” são liberadas em grande quantidade à nível de todo o corpo gerando vários efeitos deletérios. Esse sendo o mesmo mecanismo que gera a lesão pulmonar aguda e subsequente síndrome da angústia respiratória aguda já
conhecidos. Assim, há excessiva liberação de mediadores inflamatórios causados pela resposta celular e humoral após a apresentação do vírus pelas células infectadas com ativa replicação viral (CHEN et al.; HUANG et al.; MEHTA et al., 2020). Outro mecanismo sugerido é o de lesão direta de inclusão viral com subsequente inflamação à nível celular cardíaco (PIRZADA et al., 2020).
Os sintomas de miocardite em pacientes com COVID-19 são diversos, e podem estar mesclados com os sinais clínicos de COVID-19 clássicos como febre, tosse, fadiga e dificuldade respiratória; dor no peito pode ser um sinal comum em pacientes com miocardite (PIRZADA et al., 2020).
A associação de sinais clínicos e exames diagnósticos como biomarcadores
séricos, eletrocardiografia, ecocardiografia, ressonância magnética ou mesmo biópsia cardíaca podem ser necessários para fechar o diagnóstico, porém, devido a sua capacidade de rápida deterioração do quadro clínico e mortalidade aumentada, a miocardite deve sempre ser lembrada como sequela da COVID-19 (PIRZADA et al., 2020).

Referências:


Chen, G. et al. “Clinical and Immunological Features of Severe and Moderate Coronavirus Disease 2019”. Journal of Clinical Investigation, vol. 130, no 5, abril de 2020, p. 2620–29. doi:10.1172/JCI137244.


Huang, C. et al. “Clinical Features of Patients Infected with 2019 Novel Coronavirus in Wuhan, China”. The Lancet, vol. 395, no 10223, fevereiro de 2020, p. 497–506.doi:10.1016/S0140-6736(20)30183-5


Mehta, P. et al. “COVID-19: Consider Cytokine Storm Syndromes and Immunosuppression”. The Lancet, vol. 395, no 10229, março de 2020, p. 1033–34.doi:10.1016/S0140-6736(20)30628-0.


Pirzada, A. et al. “COVID-19 and Myocarditis: What Do We Know So Far?” CJC Open, vol. 2, no 4, julho de 2020, p. 278–85. doi:10.1016/j.cjco.2020.05.005.


Shi, S. et al. Association of Cardiac Injury With Mortality in Hospitalized Patients With COVID-19 in Wuhan, China. JAMA Cardiol. 2020;5(7):802–810.
doi:10.1001/jamacardio.2020.0950


Wang. D. et al. Clinical Characteristics of 138 Hospitalized Patients With 2019 Novel Coronavirus–Infected Pneumonia in Wuhan, China. JAMA.
2020;323(11):1061–1069. doi:10.1001/jama.2020.1585


Xu, Z. et al. “Pathological Findings of COVID-19 Associated with Acute Respiratory Distress Syndrome”. The Lancet Respiratory Medicine, vol. 8, no 4, abril de 2020, p. 420–22. doi:10.1016/S2213-2600(20)30076-X.


Yang, X. et al. “Clinical Course and Outcomes of Critically Ill Patients with
SARS-CoV-2 Pneumonia in Wuhan, China: A Single-Centered, Retrospective,
Observational Study”. The Lancet Respiratory Medicine, vol. 8, no 5, maio de 2020, p. 475–81. doi:10.1016/S2213-2600(20)30079-5.

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