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15.02 Soro Anti-SARS-CoV-2

Em sessão da Academia Nacional de Medicina (ANM), foi anunciado a
produção de soroterapia ao combate do SARS- CoV-2 através da inoculação única da proteína Spike em equinos que tendem a produzir um anticorpo neutralizante em média de 20 a 50 vezes mais potente que o anticorpo de plasma de humanos convalescentes. Até o momento, os testes in vitro demonstraram efetividade na neutralização viral pelos anticorpos policlonais equinos e permanecem a nível laboratorial, que deverão ser aprovados pela Agência Nacional de Saúde (Anvisa) para estudos clínicos em humanos a fim de averiguar sua segurança à saúde humana. Atualmente, o soro está sobre patente brasileira (DANTAS, 2020;
GRANDA, 2020; ZYLBERMAN, 2020; SANTOS, 2020).
O projeto tem sido encabeçado por pesquisadores do Instituto Vital Brazil em parceria com pesquisadores das instituições, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia (Coppe/UFRJ), Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Rio de Janeiro (Faperj) e Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Sendo financiado pela Faperj, Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) (DANTAS, 2020; GRANDA, 2020).
A glicoproteína Spike trata-se da proteína externa à cápsula viral e é a
principal responsável pela ligação à receptores das células humanas funcionando semelhantemente ao sistema chave-fechadura, em que a proteína trata-se da chave para adentrar a célula (fechadura) permitindo, consequente replicação e manifestação da doença. No experimento, realizado pelo Instituto Vital Brazil, o soro anti SARS-CoV-2 foi produzido através da imunização de equinos com a inoculação da glicoproteína S recombinante (semelhante a proteína espícula do coronavírus-manufaturada pela Coppe/UFRJ). Estes produzem anticorpos que são isolados através da filtração e clarificação a partir da extração de seu plasma sanguíneo, para posterior aplicação em paciente afetados, nos quais terão os vírus anulados pela ação dos anticorpos inoculados (DANTAS, 2020; GRANDA, 2020; ZYLBERMAN, 2020;, SANTOS, 2020).
Estudos demonstram a efetividade da neutralização do vírus em contato com o anticorpo equino e é indicado, quando autorizado, para utilização em pacientes moderados a graves como forma de prevenção do internamento em unidade de tratamentos intensivos (UTI), evitando a intubação, ventilação mecânica e etc por neutralizar o agente antes da ação nas células pulmonares. Para pacientes já críticos, os efeitos são limitados e para casos leves sem necessidade de atendimento hospitalar, não há indicações até o momento (DANTAS, 2020; GRANDA, 2020, ZYLBERMAN, 2020).
Uma vez que existe uma grande demanda terapêutica global e a produção de vacinas ainda requererem mais testes, e mesmo posteriormente, em virtude da dificuldade em atender à grande demanda de vacinação em todo o mundo e a urgência em protocolos eficazes na luta contra o vírus, o uso potencial do tratamento com imunidade passiva via soroterapia se prova uma grande oportunidade por ser permitir produção rápida e em larga escala (GRANDA, 2020).
O soro com anticorpos equinos já é produzido e utilizado no Brasil e no
mundo para diversas doenças como Raiva e Tétano e para acidentes com animais venenosos e peçonhentos como aranhas, serpentes e escorpiões (DANTAS,2020). Nesta situação, o soro é chamado de hiperimune ou hiperimune gamma globulinas por ser mais específico que anticorpos nas afecções citadas (GRANDA, 2020). Em relato, o pesquisador Adilson Stolet, médico e presidente do IVB, afirma que o instituto tem capacidade de produção em grande escala de até 300 mil ampolas com projeção para um milhão de ampolas quando em trabalho conjunto com outros laboratórios oficiais como a Fundação Ezequiel Dias (FUNED – MG) e o Instituto Butantã (DANTAS, 2020; GRANDA, 2020).
A soroterapia foi descoberta nos fins do século XIX com soro antidiftérico em carneiros e posterior em cavalo possibilitando obtenção de maiores volumes de plasma. Embora agente imunizador imunobiológico, ou seja, agente fabricado a partir de organismos vivos e que traz imunidade, o soro difere-se dos tratamentos com plasma sanguíneo e vacina nas seguintes modalidades: Vacinas possuem o agente causador da doença em que podem ser, vivos-atenuados ou inativados e elas estimularam a produção de anticorpos por parte do sistema imunológico do organismo inoculado resultando em imunização ativa como forma de prevenção. O plasma é a porção líquida do sangue rica em anticorpos produzidas pelo organismo
convalescente. No entanto, cada amostra terá quantidade e composição diferente por depender do organismo doador e sua capacidade imunológica, além de compor todos os anticorpos já produzidos pelo corpo podendo ser específico ou não à doença em questão. É utilizado em fase posterior à infecção e trata-se de imunização passiva. Soros, por sua vez, também oferecem imunização passiva, porém contém a presença dos anticorpos neutralizantes específicos à doença e que são isolados de qualquer outra substância do organismo, portanto não variam em composição e nem em quantidade. Possui principal aplicabilidade quando não há possibilidade de espera na produção de anticorpos pelo organismo infectado, necessitando de auxílio externo imediato (DANTAS, 2020;, SANT`ANNA, 2005; SANTOS, 2020).

REFERÊNCIAS:

1. DANTAS, C; “Brasileiros Descobrem que anticorpo de cavalos contra Covid é até 50 vezes mais potente”. G1 – Bem Estar. 13/08/2020 Disponível em: . Acesso em: 15 de ago 2020.

2. Instituto Vital Brazil; “Instituto Vital Brazil anuncia patente de soro contra a Covid-19”. IVB. 13/08/2020. Disponível em: . Acesso em: 15 de ago 2020.

3. GRANDA, A.; “Equine serum found to have powerful antibodies against COVID-19”. Agência Brasil 14/08/2020. Disponível em: Acesso em: 17 de ago de 2020.

4. SANT`ANNA, O. A., FARIA, M. Origens da imunologia: os anti-soros e a caracterização da especificidade na resposta imune. Seção Medicina e Cultura. Rev Med (São Paulo), 2005 jan.-mar.; 84 (1)34-7.

5. ZYLBERMAN, V. et. al., Development of a Hyperimmune equine serum therapy for covid-19 in Argentina. Medicina (Buenos Aires) 2020; Vol. 80 (Supl III): 1-6. PMID: 32658841. Disponível em: . Acesso em 17 de agosto de 2020.

6. SANTOS, Vanessa Sardinha dos. “Soro e vacina”; Brasil Escola. Disponível em: . Acesso em 18 de agosto de 2020.

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