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09.05 Exercício físico e COVID-19

O exercício físico é considerado um dos componentes principais de uma vida saudável. Durante e após o exercício físico, aumenta-se as contagens de células de defesa, liberação de citocinas pró e anti-inflamatórias são liberadas melhorando o recrutamento celular. Além disso, o exercício melhora a circulação sanguínea, a saúde metabólica e favorece a movimentação da musculatura trazendo efeitos benéficos ao corpo como um todo podendo prevenir 1 a cada 10 mortes prematuras, além de proporcionar redução no período de duração de doenças. Pessoas que praticam exercícios moderados de forma regular são de menor incidência, intensidade dos sintomas e mortalidade para infecções virais, relatando cerca de 20-30% de redução em afecções pulmonares. Bem como, para doenças crônicas, tais câncer de mama e cólon, obesidade, diabetes e doenças cardíacas que podem agravar as consequências do Coronavírus. Concomitante, traz mudanças no potencial de coagulação, agregação planetária e fibrinólise contribuindo na redução do risco de eventos isquêmicos e desordens de coagulação associada a infecção causada pelo novo coronavírus. Além disso, a prática regular de exercícios promove sensação de bem estar e reduz risco de depressão, fator importante para a sensação de tensão e ansiedade hoje vivido pela pandemia. Por tais benefícios, é considerado uma prática não medicamentosa para prevenção e tratamento de doenças psicológicas, físicas e metabólicas, sendo preconizado pela Organização Mundial de Saúde atividades de, no mínimo 150min por semana para adultos e 300 min/semana para crianças e adolescentes. Manter o corpo ativo ajudará a ter disposição para afazeres após o período de isolamento.(MS2, 2020; CDC, 2020 MUNOZ, 2020; SILVEIRA, 2020).

A modulação da resposta imune relacionada ao exercícios varia conforme sua regularidade, intensidade, duração e tipo de esforço aplicado.Atividades intensas e prolongadas causam imunossupressão por diversas horas pós exercício físico aumenta a probabilidade de infecção. Atividades físicas (afazeres domésticos, atividades diárias), diferenciam de exercício físico (atividade padronizada e focada visando algum objetivo por meio de planejamento), porém exercem os mesmos benefícios. Entende-se por atividades físicas, atividades que explorem o ambiente do lar como organização de espaços, limpeza e higienização de cômodos, manutenção de objetos, jardinagem. Para locais com criança, recomenda-se brincadeiras, danças, obstáculos, pular corda, passeios com animais de estimação, entre outros. Para  exercício físicos pode-se realizar meditação, alongamento, subir e descer escadas, andar de bicicleta, correr ao ar livre, levantar e sentar em cadeiras, flexões, agachamentos e exercícios em geral que utilizem músculos superiores e inferiores do corpo, quadril e membros, utilizando o próprio peso do corpo ou elásticos e objetos de leve peso (garrafas de água, mochila, livros, alimentos não perecíveis). A prática de atividades em casa, possível em todas as faixas etárias, favorece também o fortalecimento dos laços familiares e sociais pela criação de entretenimento e socialização entre os moradores variando apenas em intensidade e prática para cada idade respeitando os limites de cada corpo. Orientações são necessárias para evitar maiores danos. Nessas situações a tecnologia pode ser um aliado com programas de exercícios online ou até mesmo videochamadas com um profissional. Devido aos riscos de contaminação e transmissão do coronavírus, é indicado treinamentos em locais privados (lar), ventilados e com uso individual de equipamentos. Os riscos presentes em  exercícios individuais ou em grupos praticados em academias e locais com aglomeração sobrepõe os benefícios de tal atividade e por isso devem ser evitados. (MS2, 2020; CDC, 2020; MUNOZ, 2020)

O SARS-CoV-2 utiliza a proteína spike (S) para adentrar as células utilizando a enzima conversora de angiotensina (ECA) como receptor. A ECA é presente nos tecidos cardíaco, pulmonar, renal, intestinal, adiposo e vascular com sítio de ação principal nos alvéolos pulmonares. Possui maior expressão em doenças como diabetes e obesidade, facilitando a entrada no vírus nos lipócitos funcionando como uma espécie de reservatório para o mesmo, o que traz preocupação devido a grande distribuição de gordura pelo organismo. Estudos comprovam que pacientes com obesidade são mais susceptíveis a desenvolver a COVID-19 de forma severa por impactar na função pulmonar levando a uma diminuição da capacidade do sistema. Essa enzima, também é mais expressa em pacientes hipertensos, diabéticos e com problemas cardiovasculares. Para casos suspeitos ou confirmados moderados à graves deve-se evitar as práticas físicas e retomá-las apenas pós tratamento e ausência de sintomas. (MS2, 2020; OLIVEIRA, 2020; SILVEIRA, 2020)

Sabe-se que a utilização de máscaras impedem a disseminação de gotículas expelidas do nariz ou da boca do usuário no ambiente, garantindo uma barreira física, diminuindo a exposição e o risco de infecção para a população em geral quando combinadas com medidas preventivas adicionais necessárias (higienização das mãos e superfícies, etiqueta respiratória e distanciamento social). Porém, pesquisas comprovam que durante o exercício com o uso de máscara, há uma redução na oferta de oxigênio com aumento da concentração de gás carbônico liberado durante a expiração, dificultando a troca gasosa natural, sobrecarregando

pulmão, coração, músculos e rins (ANVISA, 2020). Aumentando, então o risco para doenças crônicas futuras (CHANDRASEKARAN, 2020). Portanto, estudos orientam à prática de exercícios monitorados em casa sem o uso de máscara facial. Para os que se exercitam em público (academias, estúdios, parques, etc), devem utilizar máscara facial e realizar exercícios leves a moderados. Importante ressaltar que, seja em casa ou em público, as demais medidas preventivas continuam sendo obrigatórias, de extrema importância e não devem ser negligenciadas. (MS, 2020; ANVISA, 2020; CHANDRASEKARAN, 2020).

Referências:

  1. Perguntas e Respostas. Ministério da Saúde, Brasil. Disponível em:
    < https://coronavirus.saude.gov.br/index.php/perguntas-e-respostas >. Acesso em: 28 de ago 2020.
  2. Orientações Gerais – Máscaras faciais de uso não profissional. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Brasília, 3
    abril 2020. Disponível em <http://portal.anvisa.gov.br/documents/219201/4340788/NT+Máscaras.pdf/bf430184-8550-42cb-a975-1d5e1c5a10f 7 >. Acesso em 27 de ago 2020.
  3. Chandrasekaran, B.,Fernandes, S., “Exercise with facemask; Are we handling a devil’s sword?“ – A physiological
    hypothesis. Medical Hypotheses, vol 144, November 2020. Disponível em: < https://doi.org/10.1016/j.mehy.2020.110002 >.Acesso em 27 de ago 2020.
  4. Como fica a prática de atividade física durante a pandemia de coronavírus?. Saúde Brasil, 20 Maio 2020. Disponível
    em < https://saudebrasil.saude.gov.br/eu-quero-me-exercitar-mais/como-fica-a-pratica-de-atividade-fisica-durante-a-pand emia-de-coronavirus >. acesso em 1 set 2020.
  5. Physical Activity. Centers for Disease Controle and Prevention – Estados Unidos da América, 10 abril 2020. Disponível em: < https://www.cdc.gov/physicalactivity/about-physical-activity/index.html >. Acesso em 31 ago 2020.
  6. OLIVEIRA, M., SIBIO, M.T., MATHIAS, L. S., RODRIGUES, B.M., SAKALEM, M. E., NOGUEIRA, C. R.; Irisin modulates genes associated with severe coronavirus disease (COVID-19) outcome in human subcutaneous adipocytes cell culture. Molecular and Cellular Endocrinology, vol. 515., 2020. https://doi.org/10.1016/j.mce.2020.110917 . Acesso em: 1 set 2020.
  7. MUNOZ, J.; 2020 Covid-19 Epidemic exercise or not to exercise; that is the question. Universidade Santo Tomás, Colombia, 2020. Disponível em: < https://www.studocu.com/pe/document/universidad-santo-tomas-colombia/entrenamiento-deportivo/otros/2020-covi d-19-epidemic-exercise-or-not-to-exercise-that-is-the question/8118127/view >. Acesso em: 1 set 2020.
  8. SILVEIRA, M. P., FAGUNDES, K.K.S., BIZUTI, M. R., STARCK, E., ROSSI, R. C., SILVA, D. T. R., Physical exercise as a tool to help the immune system against COVID-19; an integrative review of the current literature. Clinical and Experimental Medicine, 29 julho 2020. Disponível em: < https://link.springer.com/article/10.1007/s10238-020-00650-3 >. Acesso em: 1 setembro 2020.

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