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08.04 Presença do vírus SARS-CoV-2 no sistema de esgoto

Uma pesquisa realizada em novembro de 2019 pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) detectou partículas virais em amostras de esgoto, meses antes dos primeiros casos clínicos. Em estudos semelhantes, o vírus foi detectado em Wuhan e Itália, em outubro e dezembro de 2019 respectivamente.
De acordo com a pesquisadora Gislaine Fongaro, a monitorização das
amostras de esgoto é uma ótima ferramenta epidemiológica, como programa sentinela para avaliar os riscos e antecipar os cuidados para com a população.
Outro estudo realizado na rede de esgoto pela Universidade Federal de
Minas Gerais, através da rede de esgoto de Belo Horizonte, concluiu que o número de infectados é bem maior do que o registrado pelas autoridades (FONGARO et al., 2020).
A Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ) em parceria com a prefeitura de
Niterói, município do Rio de Janeiro, realiza periodicamente a análise da presença de material genético no sistema de saneamento, a fim de acompanhar o comportamento viral ao longo da pandemia.
Segundo com a subsecretária de Saúde de Niterói Camilla Franco, essas
pesquisas fornecem dados sobre a transmissão e compreensão de como o vírus circula no território nacional. E também é necessário a inclusão de áreas vulneráveis, para rastreamento precoce das doenças e monitorização das ações de saúde básica, de acordo com a pesquisadora da FIOCRUZ Marize Pereira Miagostovich.
Tendo como base as evidências científicas recentes, o novo coronavírus é
excretado nas fezes, entretanto, a possibilidade da transmissão fecal-oral ainda não foi comprovada assim como a viabilidade viral (HELLER et al., 2020). Até o momento, a principal modo de transmissão é por gotículas respiratórias.
Pesquisadores indicam três eixos principais quanto a análise das amostras
de esgoto. O primeiro é o monitoramento, como ferramenta de vigilância do avanço da COVID-19. O segundo é avaliar o potencial risco à saúde, como forma de contágio e, o terceiro é que o vírus começou a circular antes da cronologia oficial.
Segundo pesquisadores, a monitorização pode alertar a existências de surto de sete a dez dias antes do registro oficial, pois, o SARS-CoV-2 pode aparecer cerca de uma semana depois do aparecimento dos sintomas e permanece por mais de cinco semanas após recuperação (BBC News, 2020).
O sistema de tratamento do esgoto é capaz de eliminar a partícula viral,
contudo, a precariedade do sistema sanitário do Brasil pode promover ao despejo de enorme carga viral em cursos d’água sem o tratamento adequado (GUNDY et al., 2009; BBC News, 2020).


Referências:

  1. Fongaro, Gislaine, et al. SARS-CoV-2 in Human Sewage in Santa Catalina, Brazil, November 2019. preprint, Infectious Diseases (except HIV/AIDS), 29 de junho de 2020. DOI.org (Crossref), doi:10.1101/2020.06.26.20140731.
  2. Heller, Léo, et al. “COVID-19 Faecal-Oral transmission: Are we asking the right questions?”. Science of the Total Environment, vol. 729, agosto de 2020, p. 138919. DOI.org (Crossref), doi:10.1016/j.scitotenv.2020.138919.
  3. BBC News. Coronavírus em esgoto de 4 países antes de surto na China aumenta mistério sobre origem do vírus. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/internacional-53347211. Acesso em: 25 de agosto de 2020.
  4. Gundy PM, et al. Survival of Coronaviruses in Water and Wastewater. Food Environ Virol. 2009;1(1):10. doi:10.1007/s12560-008-9001-6

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