O câncer pancreático é uma dos tipos mais letais de câncer existentes. De acordo com o Inca (Instituto Nacional de Câncer), o câncer de pâncreas foi o 7° mais letal entre os homens e o 5° entre as mulheres. Sua forma mais comum é o adenocarcinoma, responsável por mais de 90% dos casos. Assim, a alta mortalidade da doença se dá pelo câncer pancreático ser altamente agressivo, silencioso e de difícil detecção em seus estágios iniciais, bem como pela baixa eficácia dos tratamentos existentes atualmente, que levam a uma taxa de menos de 10% de sobrevivência após 5 anos de diagnóstico.
Para compreender melhor esse tema, é preciso entender que o câncer é uma ameaça viva dentro do corpo e, por isso, a doença procura formas de fugir do sistema imune e dos medicamentos. Quando o tumor cria mecanismos para que as drogas e o sistema imune não consigam atingi-lo, é possível dizer que ele se tornou “resistente” e o tratamento não fará mais efeito.
Hoje em dia, sabe-se também, que 90% das pessoas com adenocarcinoma possuem uma mutação no oncogene KRAS. Esse fator contribui para a proliferação e piora do prognóstico da doença. Atualmente, o tratamento utiliza um fármaco que inibe esse gene, mas sua eficácia é moderada e pouco satisfatória.
Nesse sentido, a pesquisa liderada por Mariano Barbacid, diretor do Grupo de Oncologia Experimental do Centro Nacional de Pesquisa Oncológica da Espanha (CNIO), abordou uma característica importante do câncer pancreático: a sua capacidade de criar resistência às drogas utilizadas em seu tratamento, mesmo dentro de poucos meses de uso, o que reduz drasticamente as chances de sucesso.
Dessa forma, a nova técnica de tratamento testada propõe inibir oncogene KRAS, mas, dessa vez, a partir de três formas diferentes. Foi testada então a aplicação simultânea de três fármacos: um direcionado a inibição do gene KRAS e outros dois direcionados às proteínas EGFR e STAT3, responsáveis por vias de sinalização relacionadas à proliferação do tumor. O resultado foi a eliminação completa e sem regressão do tumor em três camundongos com adenocarcinoma, sem graves efeitos colaterais.
O cientista Mariano Barbacid ressalta que “apesar dos resultados impressionantes que nunca haviam sido alcançados anteriormente, ainda não é o momento para dar início aos ensaios clínicos (em seres humanos) com a terapia tripla”. O pesquisador declara que existem certos desafios para a adaptação do novo tratamento para seres humanos, mas a descoberta abre portas para futuras melhorias no prognóstico de pacientes com câncer de pâncreas.
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